sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sapatos de ... crocodilo


Na altura, Brigitte Bardot estaria mais preocupada em mostrar os seus atributos físicos, como actriz, antes que se preocupasse, mais tarde, pelos direitos dos animais. Em África, porém, vigorava a lei da selva e ninguém se preocupava em dizimar uns tantos elefantes para lhes extrair o marfim ou fazer caça a uns tantos crocodilos para vender a sua couraça que, após tratada, dava sola e capas que chegasse para a indústria do calçado.

Um dia qualquer, apareceu exposto lá na parada este nosso "amigo", caçado não sei por quem e mandado "calar" à força pela DGS lá do sítio por quem "derramaram lágrimas de crocodilo".

Como o seu destino já estava traçado, aproveitei para reclamar o falecido-morto-defunto quadrúpede e mandar tratar-lhe da couraça que depois enviei para o Puto. Já nem recordo em que é que aquilo deu pois como era um caso isolado foi difícil encontrar sapateiro de prestígio para tornear o "sapatinho da Cinderela"...




quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A visita do governador da Província ao Songo


Já lá vão uns anitos mas este "boneco" dá uma ideia dos chalamaleques que eram estas visitas oficiais dos altos funcionários do Estado Novo às suas sub-regiões provinciais, de que o Songo fazia parte.

E para ser sincero, nem me lembra exactamente este momento épico senão mesmo pela captura real desta imagem em que também não poderia fugir pois lá fui representar a parte militar que era a nossa Companhia.

Repare-se na "T.V." ambulante para gravar tudo in loco. Na frente, para além do governador e respectivo adjunto, vai o administrador do Songo. Mais atrás, os capangas do costume como membros da extinta DGS (ex-pide), fazendeiros e a elite da altura. Porventura, iria também a petizada das escolas com as suas bandeirinhas rubro-verdes e a cantar talvez o "Angola é nossa..." e a "Portuguesa" nos seus "Contra os canhões, marchar, marchar...".

"Deus, Pátria e Família" eram então o baluarte em que assentava o Estado salazarista. Logo mais, apareceriam o Eusébio e a Amália.

Agora, temos o Sócrates. E basta!!!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Até já...Emanuel


Parece que ele já adivinhava que iria partir, precocemente, pouco tempo após a chegada à sua ilha e que Max tão bem cantou: "A Madeira é um jardim e como ela não há igual..."

O "nosso" cabo Emanuel foi um camarada sempre bem disposto, prestável e amigo do seu amigo. De sorriso sempre estampado, tentou ser um conciliador entre os seus conterrâneos e que nele viam como que um porta-voz. Nunca se furtou a qualquer operação e estava na linha da frente fosse para o que fosse. Grangeou muitas amizades e viveu e cantou as belezas da sua Madeira.

Amigo, se nos estás a ouvir aí de cima, guarda um lugar para a malta pois o "comboio seguinte" é já a seguir...

Paz à sua alma.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A última operação de combate no mato


Já lá vão quase 36 anos mas na altura mais parecia uma eternidade.

Já tínhamos ordem de rendição da Companhia mas para acudir aos madeireiros que então desbravavam mais uma picada para incursão mato dentro, os altos comandos ainda nos dariam mais um "extra"de fazermos a protecção aos homens que faziam os trabalhos.

Enquanto duas equipas de soldados faziam a protecção no sítio, outras duas instalavam-se mais acima para vigiar em redor. Foi uma semana terrível, não tanto pelo temor imediato do IN mas porque já estavamos "fora de prazo" e temíamos ainda "morrer na praia"...

Felizmente, nada aconteceu e, na altura, quer a minha pessoa quer o Leite e um outro furriel novo da Companhia ainda aproveitavamos para deglutinar a última ração de combate após descansarmos no "resort da tenda de campanha e no meio duma cacimbada que não se via nada.

Tempos para recordar que ainda cá estamos "para as curvas"...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Um "empresário" no mato...


Ora aí está! Uma "selecção" desportiva para o futuro.

Ainda viria longe o "tacho" de empresário de futebol e já os nossos Altos Comandos enviavam o seu "embaixador e oficial superior" para fazer uma prospecção de mercado...

E vai daí, o dito cujo a quem "acusavam"de ser o "pai" dos meninos, levou a coisa mesmo a sério. À parte a guerra, que até parou nesse dia para "descansar", foi-se de abalada até à aldeia mais próxima da Quivuenga a avaliar de perto os futuros Eusébios, Futres, Ronaldos, Rosas Motas, Albertinas e Vanessas lá do sítio... e material não lhe faltou! E até tirou análises ao sangue por causa do ADN e desresponsabilizar-se das ditas "acusações"!

Há até quem diga que alguns destes prodígios brilharam mais tarde na Selecção Angolana e um ou outro até alinhou naquele famoso amigável entre um Portugal e Angola recente que, no final, quase deu "batatada"!... os ditos alinhavam até pelo Belenenses. Lembram-se?

E como as coisas se desenvolveram após a independência ainda restarariam algumas feridas por sarar...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Os bravos do 3º Grupo de Combate


Hoje, a homenagem vai para o que foi o meu pelotão no Songo.

Em plena parada e "abençoados" pela mão santa do capelão que, na altura, passou pela Companhia para a celebração da missa pascal, posariam todos garbosos para o "boneco".

Logo de seguida, a "guerra" continuaria num "golpe de mão" especial, ao almoço desse Domingo da Ressurreição e quase esgotando as Cucas e a ementa à base de fuba e porco-espinho (javali do mato) e alguns restos de pacaça "embrulhados"(disfarçados) em maionese à Zé do Pipo!

Desconheço se algum destes fazia parte do "bando de salteadores" que iam aliviando o rebanho de uma ou outra "cabeça" daquele fazendeiro e do talho lá do sítio, mas se o fazia, ainda estaria a fazer a digestão ... e até deste "pecado" o padre os absolveria!

Um bravo para estes bravos!


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um tripeiro no mato...


Tal como fosse hoje, ainda recordo esta cena sui generis que foi o "baptismo de fogo" do camarada alferes Couto, na sua primeira incursão no mato.

Um portista dos "sete costados" e um amigão com quem se podia contar para todo o ofício.

Tem marcado presença e convivido connosco em algumas reuniões dos camaradas e o episódio é sempre revivido.

Na altura, este nosso "maçarico" apareceu-nos de "para-quedas"lá na Companhia e logo foi "convidado" pelo capitão para alinhar no meu pelotão na Quivuenga e "tomar conhecimento" dos vários "resorts" da área. Lembro-me que foi uma operação lá para os lados da Mucaba e após o calcorreio daquelas "auto-estradas" e sem inimigo à vista, como tudo estava a correr bem e os "gajos" também não nos chatearam, no nosso último dia de regresso à base, o rapaz deve ter-se emocionado tanto que em alegria logo quis "elevar-me a tenente"... em parapente!!!

Se me estás a ler, Couto, vai daqui o meu abraço.