segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Força, camarada: Abante(smas) !

Olá, cambada, já sendes Generais ? Ainda não ? Mas que é isso, mandaram-vos para a reforma antes de  Marecha(is)rdes para o próximo 25 de Abril - isto está qua(i)se, pessoal.
Pois então, só para os tripeiros cá do Norte, lá vão umas "tripazitas-filme" à moda do Porto. Numa visitazita  com alguns colegas ex-prof's cá de Braga, fomos até à IMBICTA e aos tonéis de Gaia onde probámos do branco ... e do tinto e rabelámo-nosjá  meios tontos até à nossa Bracara.
Apreciái-de, que eu não duro sempre.
Inté,
Vosso General-marechal,
Cabo-raso nº 165240/69

(O)PORTO


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Olá, ex-camaradas da 3411.
Alguém sofre ainda da crisiática ? Pois é, parece que esta peste nos tocou de perto e não há forma de encontrarem o anti-biótico!...
Pois e desde o último 25 de Abril - refiro-me à última crónica - que por razões várias tenho andado arredado, "muita água passou sob a ponte" e gostaria de concertar alguns bocados, se bem que os recentes acontecimentos que vieram afetar a 3411 possam ser mais de luto - o desaparecimento do Rato, do José Coelho e do Marquês - que de alegria. Mas a vida continua e há que lidar com a morte como uma inevitabilidade que a todos advirá. Como tal, preparemo-la ainda em vida.
Filosofias existenciais à parte, o virtual tem sido ocasião para continuarmos a conversar com vários camaradas e, agora como nunca, estamos cada vez mais perto, sendo sempre bom sintonizarmos o presente, passe embora o emprego (ou desemprego ) ou a aposentação de cada um de nós.
Num destes dias botei faladura virtual, durante quase uma hora, através do chat do Facebook com o nosso amigo Laranjeira e foi compensador ajudar a "colocar as pedras na calçada", que é como quem diz, pormos a conversa em dia. Outros camaradas vão-se associando através destes meios audio visuais, participando, aqui e acolá, com fotos e dicas de antanho que nos fazem sempre lembrar que ainda estamos vivos e  por cima da ponte e que a amizade tem perdurado para além da nossa vivência, há anos a esta parte.
E por hoje fico-me, reiterando esforços e desejos de que todos quantos puderem - seja até através dos filhos que lidam melhor com estas coisas modernas dos FB e dos blogues - continuem a "fazer pontes" para que a 3411 continue viva e a recomendar-se.
Um abraço apertado do Rei (Lino) pois ... "vemo-nos por aí".

Lino Rei
 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril, onde páras ?

Eu (nós) sou do antes e do depois do 25 de Abril.
Nós, os ex-combatentes do Ultramar, "forjamos" a Revolução dos Cravos, após 13 anos de luta inglória contra os povos autótones que, simplesmente, queriam asas para poderem voar. A nós fizeram-nos "caçadores" à força e limitámo-nos a tentar caçar e quantas vezes de "caça" nada vimos; aqui e ali tropeçamos nas nossas espingardas que se dispararam contra nós outros provocando perdas estúpidas não mais saradas.
Quando a "caça" acabou, outros caçadores que nunca lá estiveram para dar a cara à luta, apareceram com os troféus, armadas de varas e carapaus e tornaram-se muitos deles heróis de liberdades pela quais pouco fizeram; uns, fugidios ao sistema, outros oportunistas de ocasião, e outros tantos a reboque dos acontecimentos instalaram-se no poder e fizeram fitas e cinemas que correram mundo com cravos vermelhos nas espingardas que nunca souberam manejar. Muitos destes tornaram-se heróis ... de banda desenhada, convenhamos.
Nós fomos pura e simplesmente esquecidos, proscritos até pelo novo sistema, apesar de não termos virado a cara à luta quando a pátria precisou do nosso esforço, apesar de políticas para as quais nada contribuímos. Estivemos lá, não fomos cobardes, dixamos lá muitas das nossas vidas. Outros tantos chegaram estropiados e aqueles outros ainda hoje sofrem de traumatismos traumáticos e psicológicos que não mais sararam.
- Afinal, o que é que o 25 de Abril fez por nós? Liberdade ? Reconhecimento público ?
Responderei: puro esquecimento, varridos para debaixo do tapete da indiferença por politiquecos de meia tigela que foram degradando um país até ao seu descalabro.
São estes os novos heróis da nossa democracia, do 25 de Abril !

Ex- militar em Angola.

terça-feira, 20 de março de 2012

Um golpe de mão

Outros golpes de mão

Por vezes, havia que quebrar a nostalgia das noites distantes do Puto com algumas saídas furtivas fora do perímetro do aquartelamento.
O mecânico mor, fur. Laranjeira, tinha nos seus compinchas - o Velês, alentejano de gema, o leixonense Óscar e o Gouveia, portista dos sete costados - uma autêntica testa de ferro para certos "ataques surpresa" que, daquela vez, foi à sanzala mais próxima.
Naquela noite, no velho jeep wiles e tendo como pendura o Gouveia e no banco de trás, o Velês e o Óscar, o sentinela de serviço também acabaria por fazer olhos e ouvidos de mercador e o "bando" voou até ao objetivo.
... Desligando-se as luzes do jeep, avançou-se na escuridão até ao redil, pertença de um proprietário de um talho local. De imediato, o Velez, saltou do jeep e embrenhou-se no meio das cabras e ovelhas e logo despachou um dos troféus até ao carro. Desta feita e em fórmula 1 até ao quartel, estava já preparado o cozinheiro da Companhia, para repasto posterior dos compinchas.
No dia seguinte, era ouvir e bociferar o talhante "de que os turras voltaram a limpar-lhe mais uma cabra, esses filhas da p...", enquanto aquela "matilha" ia rindo a bandeiras despregadas por mais uma partida.

In "Também eu estive lá..."

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O ritual da recruta / in "Também eu estive lá..."

Local: Quartel do convento de Mafra - Julho/70/ COM (Centro de Oficias Milicianos)

Sair ou entrar no "principado" de Mafra, exigia "passaporte" que dependia, tantas vezes, dos humores do oficial de serviço.
Na formatura de saída, longas filas de cadetes perfilavam-se ao som de guinchos baritonais dos cabos milicianos e qual desfile de misses, o candidato a uma simples "deserção" de fim de semana apresentava-se todo engomado da cabeça aos pés.
O Zé cadete excedia-se em parafusos de imaginação de asseio, acarinhando a trunfa, aparada à escovinha ou máquina zero, de forma a fazer sobresair a boina ou o boné regimentais, barba escanhoada à menino de coro, botões mais lustrosos que raios de sol e as estrelas de instruendo a espelhar. Não se ficava por aí a inspeção pois se parecia que passava logo à primeira estava bem enganado. O teste final descia agora na vertical para os sapatos ou as botas e  havia que pô-los como brinquinhos. Às vezes, por falta de tempo, disfarçava com uma mão de verniz ou umas escovadelas histéricas com o último grito em graxa made in China. Com tudo au point e se o oficial de dia estivesse para aí virado e sem uma qualquer má disposição momentânea, ficava-se aprovado.
Corria então para a porta de armas, qual tresloucado e voltava ao condado da sua terra natal. Ainda no combóio em andamento e em rapidinha ao W.C. desfazia-se daquela farda-azeitona e engarrafada à pressão e passava a aperaltar-se à civil para fugir a uma última  inspeção da pegajenta Polícia Militar com faro predileto para embirrar com magalas e cadetes nas estações de S. Bento ou Campanhã. De soslaio, ia deitando uns olhinhos às meninas do lado, muitas delas estudantes e que iam entrando ao longo da viagem.
Na viagem de regresso, ainda sonolento e mal dormido pelas charretes ou os "Expressos do Oriente" da sua aldeia, mal tinha tempo de endireitar a gravata para reentrar no quartel.
O normal da semana  ia sendo mais do mesmo, até que o cabedal ficasse todo esfolado com umas idas à lagoa, no galho, no pórtico, na ordem unida, nos crosses, na carreira de tiro e por aí fora. Como engorda, a ração de combate, quando em progressão para alguma semana de campo, ali a Torres Vedras ou aos banhos de mar da Ericeira. Quanto às refeições no "hotel"  havia menus variados à base de alguma carne condimentada a soda para inchar o canastro.
Ah! E estar afinadinho quando em pelotão tentava imitar o Pavarotti:

O cadete é o melhor da tropa
Quando lá não está mais ninguém
As meninas até ficam loucas
Co'as estrelas que a sua farda tem
(...)