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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Descongestionando...

Olá, malta da "pesada" - embora agora  com a "velhice" pertençais mais à cavalaria ligeira - está tudo numa de corrida à copofonia ou andais ainda a águas das pedras ?
Pois, já se sabia que a culpa fica sempre solteira e nunca assumis que sois vós que vos desgastais em cervejolas e outros álcoois afins e não ligais puto ao vosso médico de família que vos aconselha simplesmente água da torneira que com esta crise sempre fica mais barata que a engarrafada e que vos havia de provocar gases...
Mas deixemos de brincadeiras e era só para vos dizer que ainda estou vivo embora vá falando para alguns que já estão mais mortos que vivos.
Ah!... Tende um Bom Natal e um Próspero Ano Novo e algumas prendas nos sapatões e de preferência com um prémio chorudo do euromilhões. Mas jogai, "carago".
Um abraço,
LR.
 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“Contra os canhões…”


 (*) Texto publicado no Jornal “Correio do Minho”, pp 17 de 15/07/2010 (Braga) e seleccionado de entre “as melhores histórias” na rubrica “Conta o leitor” de “Quem conta um conto acrescenta um ponto”.                                              
 
                             “Contra os canhões…” (XVII)

António viu-se mobilizado para a guerra e, com ele, mais uns milhares de mancebos por esse país fora.
Já em Luanda, reencontrara no Grafanil – centro de mobilização geral de Angola – um conterrâneo seu que já tinha começado a sua comissão e aguardava novas ordens, para outros destinos.
- Então, pá, também por aqui? - Admirou-se o Fiúza, de Operações Especiais e a fazer serviço na unidade, enquanto aguardava ida para o Leste.
- Como vês, parece que calha a todos!...
- Olha, a malta só aguarda transporte dos páras e fala-se numa mega operação lá para o Leste; estamos só a afinar as armas…
- Porra, parceiro, isto está assim tão mau?
- Bem, como ainda estás a chegar, será melhor veres por ti. A propósito, para onde vais?
- Sei lá, pá, é lá para o Norte, uma parvónia qualquer…
- Vê que não te calhe a rifa de Nambuangongo, aquilo é fogo da pesada!
- A nossa malta é “tropa macaca” mas o Capitão é dos comandos, nem imagino como vai reagir. Seja o que Deus quiser!
- Boa sorte, a gente ainda se vê por aí. A propósito, sabes quem está na prisa?
- Conta.
- O Salsichas. O gajo pirou-se e andou à porrada com o alferes e pô-lo no hospital!
- E agora?
- Agora, vai alinhar por duas comissões de serviço, se entretanto sair da gaiola!...
(…)
Tentando quebrar a tensão da picada, procurou no bolso do camuflado um cigarro. Entretanto, no transístor do condutor, a Rádio Luanda anunciava manifestações patrióticas no Puto. Um político de ocasião ainda discursava: (…) “A quantos souberam bater-se para que todos possam viver (…) Por isso, nesta manhã dos heróis prestamos sentida homenagem aos varões assinalados que fizeram história no Ultramar português” (…)

Que raio fazia António ali, a milhares de quilómetros da sua terra?
A seu lado, o furriel progressista reavivara poemas de Manuel Alegre pois os “ventos” começavam a soprar outras trovas.
Ouviu-lhe:

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.

Afinal de que lado estava António?

Um cabo alfacinha aproveitou a boleia poética e trauteou um dos tops da altura, pelo Conjunto de Oliveira Muge, de Ovar. A canção A Mãe que rivalizava com o Le Ruisseau de mon enfance (Adamo), Caracóis (Amália), Delilah (Tom Jones), Hey Jude (Beatles), Nights in White Satin (Moody Blues) e Congratulations (Clif Richard), no Eurofestival desse mesmo mês de Abril.

A MÃE
Mamãe, tu estás tão longe de mim
Mamãe, sinto que estás a chorar
Não chores a minha ausência
Que um dia hei-de voltar
Não chores e pensa agora
Que o tempo passa depressa
Pede a Deus que te tire esse tormento
Que te abrande o sofrimento
Desse teu formoso rosto
Mamãe, não chores, eu volto, Mãe.

A fila indiana das Berliets que os conduziam para o Uíge nunca mais chegava. Terra batida, barrenta, pegajenta de mosquitada. E subiam, e desciam …
Pelas cinco da manhã, ao fim de doze horas daquela tormenta, sonolentos e alquebrados, feitos manteiga por tanto solavanco, alguém berrou da primeira viatura:
- Eh, Companhia, chegamos! Toca a descer e a perfilar para a revista.
Como morcegos assustados, ainda meio sonâmbulos, as viaturas militares iam vomitando toda aquela “carne para canhão”, preparada de armas e bagagens para umas férias, mato fora, sabe-se lá por quanto tempo.
A nascente, a aurora avermelhada aproximava-se a passos de gigante e olhava curiosa aquela tropa maçarica que nem imaginaria ao que vinha nem por que viera.  À porta de armas do Batalhão, a sentinela tivera talvez o pesadelo maior da sua vida:
- Meu Sargento, chegaram os Comandos!
O Sargento de Prevenção, chateado por o interromperem do passar pelas brasas e farejando ao longe aquelas fardas engomadas, logo lhes “tirou as medidas”. Acabou por berrar para o praça:
- Quais Comandos, minha besta-quadrada, são os maçaricos do Puto que vão p’ra Mucaba. Vai acordar o nosso Tenente e Oficial de Prevenção .
Uma hora depois, o Comandante da Unidade, acompanhado do Oficial de Prevenção, aparecia à porta de armas:
- Atenção, Companhia, apresentar armas! - Grunhiu o Capitão.
Um estalejar de mãos nas G3, acompanhando os coices das botas dos soldados no alcatrão da parada, ressoaram quartel dentro, substituindo-se ao toque de alvorada do corneteiro. Dois boxers, contrariados por invasão do território, galgaram a porta de armas, arreganhando os caninos àqueles intrusos. Finalmente, o Comandante, um tal de Tenente-Coronel, quiçá ainda meio ensonado pela ressaca do dia anterior, correspondeu, contrariado, à ordem de comando e batendo pala aos homens, autorizou o Capitão a fazer descansar a Companhia.
- Descansar... armas!
O Tenente-Coronel Amoroso ladrou as boas-vindas aos recém chegados.
No seu discurso patriótico apelou a dar cabo de todos os turras na zona e prometia até umas feriazinhas surpresa no Puto, a quem lhe trouxesse algum troféu como prova.
- “ (…) Portugal é um Império e Angola faz parte dele – ressoava ainda o seu vozeirão, assustando a passarada que esvoaçou em momento tão solene – por isso, soldados, sede dignos da farda que usais como os bravos heróis de Pidjiguiti, Mueda e Baixa de Cassange” – rematou.
A Companhia haveria de deslocar-se ainda uns bons 40 quilómetros mais para Norte.
No trajecto, o transístor cantarolava:

ANGOLA É NOSSA

Ó povo heróico português,
Num esforço estóico outra vez
Tens de lutar, vencer, esmagar a vil traição!
P’ra triunfar valor te dá o teres razão
Angola é nossa - gritarei -
É carne, é sangue da nossa grei,
Sem hesitar p’ra defender,
É pelejar até vencer!
Ao invasor castigar coo’o destemor
Ancestral, deter, destroçar!
E gritar: Angola é nossa
É nossa, é nossa
Vencer, escorraçar!
Angola é nossa
Angola é Portugal!...

Desde então, António sentira que a confiança que o animava se começava a esvaziar como um balão.
Seriam os novos senhores da guerra!

 

MAX

 

 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Madeira - BII 19 Quartel de instrução à recruta - 1970


Lino Rei Rei

 " ... o pelotão, em semicírculo, aprendia a montar e a desmontar a G3, ajudado pelos então cabos milicianos. A páginas tantas:
- Meu asp'rante, dá licença de pôr em cima dos pés ? - Solicitava o recruta.
Intrigado, o aspirante, e julgando tentando tratar-se de uma qualquer brincadeira, fez ouvidos de mercador.
Insiste o instruendo:
... - Meu asp'rante, dá licença de pôr em cima dos pés ? - Repetia o homem.
Olhando-o de soslaio, o oficial lançou-lhe umas gáspias surdas de reprovação, pois não estava já a gostar da gozação.
E pela terceira vez ainda:
Meu asp'rante, dá licença ... de pôr em cima dos pés ? Quase choramingava o aspirante a soldado.
Risota geral, meio abafada, de muitos dos instruendos.
Vociferou-lhe então o aspirante-miliciano e chefe daquele grupo:
- Ó nosso, você é parvo, ou quê ? Se é estúpido vá depressa apresentar o certificado na Psiquiatria e arrede pés deste grupo. Seu pedaço de urso, como é que quer engalhar-se em cima dos pés, se estando já a pé ainda quer pôr-se em cima dos pés ?
O nosso homem e já nem querendo ouvir o final da reprimenda, desatou a correr ... para as latrinas !...
Quando chegou, dez minutos após, e ainda meio lacrimejante, ajoelhou-se junto ao chefe de grupo e com a voz entrecortada:
- Obrigado, Meu asp'rante. Agora, Já estou todo aliviadinho...
Risota geral a que o aspirante também alinharia.

P.S. Na Madeira havia certas expressões populares carregados de sentidos ambíguos e que só com o tempo se aprenderia o seu real significado.
Obs. Contexto adaptado In "Também eu estive lá..." livro sobre a C.C. 3411 de Lino Rei (ex-alferes).

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Pudera ...

 
25 de Abril ?
Os boyzinhos continuam sem saber "nadar", mas afogaram já  meio Portugal inteiro. Simplesmente, ordenam: "despachem-nos".
É este o  meu Portugal de Abril que mais parece um país em agonia lenta, endividado q.b. e cujos juros a pagar já fazem quase outro tanto do nosso P.B.. Mas os BPN's e as Parvalarem's continuam por aí a fazer negócios obscuros e sem que alguém lhes deite a mão. Pudera!...
Quase nos apetecia desenterrar de novo as velhas G3 para os despachar de vez, mas, qual lapas, não largam a mama enquanto houver mais tranches a serem sugadas para encherem ainda mais os baús do grande capital. Pudera!...
Quantos mais "Coelhos" ainda faltarão sair da cartola, para além de alguns "Maduros" ?
Eu não me identifico com este "25 de Abril", prefiro, antes, ser da velha guarda onde ainda havia algum pudor pelos mais necessitados e a minha 4ta. Classe, feita de exame limpinho, era bem mais verdadeira  que a de alguns políticos que por ali proliferam. Pudera!...
Então e se isto não mudar de vez, prefiro ser do 24 de Abril.

Zé, (o) descontente

domingo, 17 de março de 2013

Semana Santa: Páscoa tradicional em Braga!

Semana Santa: Páscoa tradicional em Braga!: De 22 a 31 de março, há mais um pretexto para visitar a “cidade dos arcebispos”. Participe nas celebrações da Semana Santa de Braga e visite u

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Madrinhas de guerra

Combatentes e "madrinhas de guerra" trocavam cartas "de fazer corar"

“Madrinhas de guerra” eram quase sempre moças solteiras

Os antigos combatentes chamavam-lhes “madrinhas de guerra”, mas algumas das cartas que eles e elas trocavam eram de tal forma “atrevidas” que só com “bolinha vermelha” poderiam ser reproduzidas num qualquer programa de televisão.

“Muitas vezes, os combatentes aproveitavam as madrinhas de guerra para ‘despejarem’ toda a sua criatividade e todas as suas fantasias sexuais”, explicou hoje à Lusa José Manuel Lages, diretor científico do Museu da Guerra Colonial de Vila Nova de Famalicão.

Na quinta-feira, para assinalar o Dia de S. Valentim, aquele museu vai acolher uma tertúlia com alguns dos que viveram na primeira pessoa a experiência de escrever e/ou receber as cartas em cenário de guerra.

Como refere fonte municipal, trata-se de um “casamento improvável” entre uma unidade museológica que evoca um dos mais difíceis e sangrentos estágios da História de Portugal e uma efeméride “tão cor-de-rosa” como o Dia dos Namorados.

A iniciativa integra ainda a exposição temporária de algum do vasto acervo que aquele museu detém nesta área da correspondência de guerra.

José Manuel Lajes confessou “alguma perplexidade” na escolha das cartas da expor, face “às barbaridades e aos termos perfeitamente indecorosos” que muitas delas contêm.

“Mas também há cartas de verdadeiras madrinhas, de pessoas, como professoras, por exemplo, que escreviam aos combatentes apenas e só para lhes darem algum alento”, acrescentou.

As “madrinhas de guerra” eram quase sempre moças solteiras, sendo muitas vezes os respetivos endereços trocados entre os soldados.

Muitas vezes, as pessoas escreviam-se sem se conhecerem pessoalmente, mas há alguns desses casos que resultaram em casamento.

Ao fim de algumas cartas trocadas, as “madrinhas” enviavam fotos normalmente “de corpo inteiro”, para “mostrarem o que valiam”.

“Vestiam a sua melhor roupa, faziam a sua melhor pose e faziam questão que a foto fosse de corpo inteiro”, contou José Manuel Lajes.

Aparentemente, as cartas “sem pruridos” dos combatentes não as escandalizavam, já que as mulheres acabavam por alimentar esse “clima”, com respostas que “levavam sempre a sua pitadazinha de provocação”.

Os “aerogramas”, nome que tinham as cartas, eram disponibilizados pelo Movimento Nacional Feminino, não precisavam de selo e eram transportadas gratuitamente pelos aviões da TAP.

Por vezes, o saco com os aerogramas era atirado do avião, sendo sempre o momento da distribuição da correspondência aguardado com particular ansiedade pelos guerreiros.

“Eu tinha umas cinco ou seis madrinhas e recebia umas 19 a 20 cartas por mês. De que falava? Falava de tudo, era uma espécie de despejar o caixote. Falava-lhes de ser herói, falava-lhes de solidão, falava-lhes de medo, falava-lhes de malandrices”, recorda um antigo combatente.

13 de Fevereiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Estou grávido !!!

Ora, viva 2013 que já usa biberão e logo mais será adolescente.
Então, e desde o ano findo, cá estamos de novo a tagarelar um pouco e para vos dizer que também eu estou GRÁVIDO !!!??? Sim, não são apenas aquelas duas VIP's governamentais, e nem por isso tive direito a grandes parangonas nos jornais!...
Pois, até pareceria mentira, há uns anos a esta parte, mas lá foi acontecendo, pouco a pouco, e o tempo de gestação acelerou de tal forma que estou quase a dar à luz! - estou mesmo a ver que algum jornalista light, após estas minhas confidências, quererá até  saber quando é que eu fiz o tric-truc para despoletar o crianço que aí vem, só para o seu jornaleco subir mais uns pontos nas audiências.
Mas o nosso namoro também não foi lá muito pacífico, e umas quantas vezes chatei-me deveras com o meu par (?), na verdade ainda o fizemos à moda antiga e nada de provetas espermatozóidicas e só após muitas discussões em cima da mesa chegamos a consenso, de outra forma tínhamos mais um olheiro da Tróika a dizer-nos como o deveríamos ter feito - Vade rectrum! (o diabo nos livre!)
Desculpem lá... mas estão a rebentar-me as águas e tenho logo que ir para a maternidade (...)

P.S. Tive de fazer um aborto pois o crianço veio todo deformado, sem pés, nem mãos e com uma cabeça monstruosa. Coisa estranha, o médico disse que na cabeça trazia um chip com os dizeres "financial crisis" (CRISE).
Estou mais aliviado...